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Escritora Jordanense vence Prêmio Nacional de Literatura

Cultura - 30/06/2020 | 21:42

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Daiane Rodrigues, aluna do Instituto Federal e membro da Academia Jovem de Letras de Campos do Jordão, conquistou o primeiro lugar no Prêmio Nacional Josemar Guilhermino de Literatura, realizado pelo Sistema Preciso de Comunicação, em Recife, PE.

Concorrendo com autores de diversos pontos do País, Daiane venceu com a crônica “Sobre Pérolas que Ecoam e Conchas Ocas” (veja a íntegra da crônica abaixo)

Este é o segundo prêmio conquistado pela jovem autora jordanense: no ano passado, ela também ficou em primeiro lugar no Prêmio Jovem Escritor Paulista.

Na Academia Jovem de Letras, Daiane ocupa a cadeira 33, cujo patrono é Orestes Mario Donato.

A Academia Jovem de Letras, é uma iniciativa pioneira da Academia de Letras de Campos do Jordão, criada pelo seu presidente e Secretário de Cultura Benilson Toniolo. Atualmente a Academia Jovem reúne 70 jovens amantes da literatura com idades entre 12 e 22 anos. “É uma alegria para Campos do Jordão ver a consolidação de mais um jovem e promissor talento da nossa Literatura! Daiane, que você continue trilhando o caminho do estudo, da literatura e do esforço em busca dos seus objetivos”, afirma o Secretário Municipal de Cultura.

Abaixo a crônica vencedora do Prêmio Nacional Josemar Guilhermino

Sobre Pérolas que Ecoam e Conchas Ocas

Autora: Daiane Terezinha Sampaio Rodrigues

Instituição: Academia Jovem de Letras de Campos do Jordão

 “Estava cruzando a praça da Concha como faço quase sempre aos sábados. 

Era ainda plena manhã e, assim, custava-me dedicar muita atenção as sombras que passavam rapidamente rumo ao trabalho. Como eu, estavam todos mergulhados em um torpor matinal.

  A praça é como uma clareira em meio a um bosque, fica ao lado de uma longa passarela ladeada de lojas e shoppings, que se misturam a muitas outras passarelas no centro turístico da cidade. E a Concha Acústica foi enraizada ali com o intento de dar espaço às apresentações artísticas da temporada de inverno.

  De relance, distingui uma movimentação diferente, próxima a grande árvore. Havia uma mulher notável, vestido vermelho, na cabeça um chapéu. À sua frente, dois policiais ranzinzas ouviam suas palavras de um tom imponente e quase hostil. 

  — A praça é do povo! — ela bradou, tinha em mãos um telefone-celular e pronunciava alguns decretos e leis que lá encontrava — “As apresentações e manifestações artísticas de rua podem ser realizadas sem a necessidade de licenciamento ou autorização da prefeitura!”

  Enquanto ela sustentava o dedo quase junto ao rosto do policial, pessoas começaram a parar e sair de suas lojas para observar o alvoroço. Os policiais, no entanto, ainda que já estivessem irritadiços, procuravam dialogar de modo ordeiro. Pediam com um forçado equilíbrio que a moça retirasse dali seus quadros e os demais pertences.

  Cheguei ao meu destino ainda ouvindo os ecos daquela voz revolta. Da janela, era possível ver a longínqua agitação, que durou algum tempo até se desvanecer pelo egresso da pintora. Mais tarde, tive a chance de escutar, entre os comerciantes, uma conversa sobre o acontecimento.

  — Já faz tempo que esse povo está aí chamando a atenção! — dizia um homem sobre os artistas — Isso é ruim pro comércio, deviam tirar todos de lá!

  Voltei a olhar pela janela novamente, a praça estava vazia, a Concha estava vazia, e nada se via na praça que não fossem os turistas vazios carregando suas sacolas cheias. Respirei fundo e voltei a trabalhar, um cliente havia entrado.

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